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Fábrica de Desperdícios

a evasão de estudantes de mestrado e doutorado no Brasil

Igor Vinicius Lima Valentim

O que leva uma pessoa a não concluir o mestrado ou o doutorado em que se matriculou, numa universidade pública brasileira? Ouvi quem saiu: 47 pessoas, das cinco regiões do Brasil.

Neste livro polêmico e propositivo, não culpabilizo ninguém de antemão, mas também não passo pano para ninguém.

Da orientação às disciplinas, dos projetos de pesquisa às violências, mostro como a Pós-Graduação, que produz coisas maravilhosas, também funciona como uma imensa fábrica de desperdícios: de talento, de curiosidade, de energia, de criatividade, de vida. E proponho dez movimentos concretos para mudarmos o que virou “normal”.

Alguém quer se olhar no espelho?

Um pouco deste livro

Sou fã incondicional da educação pública.

A universidade pública brasileira produz muitas coisas incríveis e é uma instituição muito potente. E pode ser ainda muito, muito, muito melhor. Para mais pessoas.

Neste livro, olho para o que costuma ser jogado para debaixo do tapete: a evasão de estudantes de mestrado e doutorado.

Escutei pessoas que deixaram cursos de Pós em 27 universidades, de 16 estados e do Distrito Federal, e cruzei essas histórias com pesquisas feitas no Brasil e em outros países.

Aqui, a evasão não é um objeto de estudo distante, neutro e frio. É algo que me atravessou e segue me atravessando. Escrevo em primeira pessoa, inspirado nos métodos autoetnográfico e cartográfico.

Não trago generalizações nem verdades absolutas. Trago verdades doloridas, críticas e autocríticas. Trago um espelho. E propostas. Para estudantes, docentes, orientadores, coordenadores e gestores que quiserem uma Pós que forme mestres e doutores com mais autonomia, curiosidade e vida.

Alguns cenários construídos ao longo da pesquisa eram, de certa forma, esperados. Mas muitas coisas me surpreenderam. Outras me chocaram. Alguns mitos foram desconstruídos. Alertas foram disparados.

Reclamar é muito importante. Mas não basta. É preciso também propor, agir, levantar da cadeira e tentar algo diferente. Experimentar. Nem que seja na mais simples atitude que está ao nosso alcance. Por isso, incluo também uma proposta com dez movimentos concretos que podemos realizar desde já. Ações para experimentarmos a construção de uma Pós-Graduação melhor. Todas elas sem necessidade de orçamento novo significativo.

Ninguém é obrigado a concordar com nada do que apresento aqui. E eu desejo sinceramente que a leitura desta obra tire as pessoas de suas zonas de conforto. Que as incomode. Que as afete. Que as impulsione para o novo, para o diferente, para uma Pós-Graduação mais baseada em relações justas, igualitárias e solidárias. Menos violentas. Um mundo no qual as pessoas lutem por mais autonomia e desenvolvam trabalhos que façam mais sentido para elas. Trabalhos que despertem mais senso de propósito, alegria e tesão.

O livro Fábrica de Desperdícios aberto: à esquerda, a frase “Me sentia nas mãos dela, como uma escrava, onde ela podia dispor da minha vida acadêmica como lhe conviesse”; à direita, a abertura do capítulo 1, “Como a evasão se tornou um problema de pesquisa?”

Outras informações

Lançamento: 2026

Páginas: 400

ISBN (edição impressa): 9788566398137

ISBN (e-book EPUB): 9788566398113

ISBN (PDF): 9788566398120

DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.23424939 (ativo a partir de 17/11)

Como citar: VALENTIM, Igor Vinicius Lima. Fábrica de desperdícios: a evasão de estudantes de mestrado e doutorado no Brasil. Rio de Janeiro: ComPassos Coletivos, 2026. DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.23424939.

Igor Valentim

autor

Nasci no Rio de Janeiro e sempre adorei viver uma vida quase nômade. Morei em Porto Alegre, Balneário Camboriú, Itajaí, Criciúma, Ribeirão Preto, Itapiranga, Lisboa e na ilha de São Miguel, nos Açores.

Atualmente trabalho na UFRJ, na Graduação e na Pós-Graduação.

A cada ano, ministro cursos inter e transdisciplinares, centrados nos interesses de quem participa, em turmas abertas a estudantes de todo o Brasil e do exterior, sem custo.

Encantam-me temas polêmicos, pouco discutidos, jogados para debaixo do tapete.

Tenho trabalhado com pesquisas narrativas, metodologias ativas, escuta, curiosidade, amor, pesquisas polêmicas, cafetinagem acadêmica, autoetnografia e cartografia.

Meus outros livros, digitais (em acesso aberto) e impressos, estão em bit.ly/livrosdoigor

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